Avançar para o conteúdo principal

Pantominice


Este país está recheado de pantomineiros de toda a espécie. Quando leio ou ouço as notícias concluo que começa a ser difícil encontrar uma área que mereça confiança. Anda tudo ao desvario. A loucura generalizou-se. Os responsáveis não passam de meros fingidores. Afinal o que é que querem? Ganhar a vida, tentar a sorte, desfrutar o bem bom e fingir que se interessam pelo semelhante? É o mais certo. 
A diversidade comportamental tem de tudo, inclusive a sacanice a hipocrisia. Surgem os velhos mecanismos de sobrevivência, agora culturizados, porque os biológicos ficam adiados para situações extremas. E mesmo assim, por vezes, surgem em toda a sua violência. 
Todos os esforços feitos no sentido de dar credibilidade à espécie humana e, no nosso caso particular, à tal "velha nação", caiem aos trambolhões pela rua da amargura. 
Nunca vi, e também nunca pensei, que fosse possível tanto desaforo, tanto oportunismo, tantos trafulhas, tanta pantominice, tanto ladrão, tanto filha da puta, enfim, nunca pensei ter de viver no meio de uma sociedade cujos valores são apenas enunciados ou festejados como sendo uma "realidade" apenas em determinados momentos convencionais. Uma gaita. Anda tudo numa fervorosa, a mostrar que os requintes que estiveram subjacentes à nossa evolução, que não são diferentes das outras espécies, se mantêm incólumes, atualizados e sempre prestes a premiar quem enveredou pelos mais diversos tipos de pantominice. 
Este país é um país de faz de conta. 
Como é que uma pessoa pode andar satisfeito num país injusto, ingrato e traiçoeiro? Impossível. Resta-me algumas coisas, poucas, mas mesmo assim escondo-me dentro delas para esquecer onde estou e com quem ando metido. 
Só o tempo é que vai resolver o problema, o meu e o dos outros..

Mensagens populares deste blogue

Fugir

Tenho que fugir à rotina. A que me persegue corrói-me a alma e destrói a vontade de saborear o sol e de me apaixonar pela noite.  Tenho que fugir à vontade de partilhar o que sinto. Não serve para grande coisa, a não ser para avivar as feridas. Tenho que fugir à vontade de contar o que desejava. Não quero incomodar ninguém. Tenho que fugir de mim próprio. Dói ter que viver com o que escrevo.

"Salvem todos"...

Tenho que confessar, não consigo deixar de pensar nos jovens aprisionados na caverna tailandesa. Estou permanentemente à procura de notícias e evolução dos acontecimentos. Tantas pessoas preocupadas com os jovens. Uma perfeita manifestação de humanidade. O envolvimento e a necessidade de ajudar os nossos semelhantes, independentemente de tudo, constitui a única e gratificante medida da nossa condição humana. Estas atitudes, e exemplos, são uma garantia que me obriga a acreditar na minha espécie. Eu preciso de acreditar. Não invoco Deus por motivos óbvios. Invoco e imploro que os representantes da minha espécie façam o que tenham a fazer para honrar e dignificar a nossa condição. Salvem todos, porque ao salvá-los também ajudam a salvar cada um de nós.

São Sebastiao

Tarde de domingo de inverno. Um sol infantil diverte-se convidando os desejosos de calor a espraiarem-se debaixo dos seus raios. Não lhe respondi, tinha de ir a um funeral. Na estrada secundária observei um movimento inusitado para aquele lado meio deserto. O que é que estará a acontecer? Ao fim de meia centena de metros observo uma mancha escura e silenciosa a invadir a estrada. Estacionei o mais possível à direita para deixar passar uma estranha procissão. Para a terríola era muita gente, de idade a maioria, vestidos de escuro, com uma ou outra criança com ar divertido e um casal de namorados que, indiferentes ao momento, iam manifestando ternura amorosa. Os devotos iam ao molhe, sem ordem, até pareciam uma coorte romana a ir para a batalha. As suas faces eram dignas de fazerem parte dos quadros da Paula Rego. Ainda procurei sinais de alguma devoção, mas, sinceramente, não consegui vislumbrar, pelos menos nos que foram alvo da minha atenção. Senti que nos tempos do paganismo hordas s...