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Ciência e mitos

Considero um cocktail saboroso quando a poesia, a ciência e a história enchem a imaginação construindo certas notícias, as quais são uma fonte preciosa de especulação. Especular é uma necessidade, um adorno para o nosso cérebro a relembrar belos colares e anéis, joias da mente que necessitam de espaço, de gente que as contemplem, que as copiem, que se inspirem nas mesmas, fomentando novas ideias. Adoro ler novas visões e interpretações mesmo que não correspondam à realidade, já que viver no mundo da fantasia é a aspiração natural de uma criança e a máxima de um adulto consciente.
Dizem os entendidos que o monoteísmo nasceu no antigo Egito, provocando mudanças radicais na forma de ver o mundo e na própria organização social. Claro que tal transformação não agradou a muitos, mas é certo e sabido que certas mudanças arrastam sempre consigo mal-estar, raiva e o ódio.
Naquela zona do mundo, são inúmeros os segredos. O homem gosta de os conhecer, e depois quer explicá-los com o que tem à mão e com o que não tem, neste último caso usa a imaginação. E faz muito bem. Veja-se o caso de Tutankhamon, tão sedutoramente representado naquela formosa e enigmática máscara de ouro.
Qual foi a causa da morte do jovem rei? São tantas as hipóteses, mas há um aspeto que merece ser realçado, tem a ver com características feminizantes de alguns faraós, a sua relação com doença genética que pode estar relacionada com certas formas de epilepsia temporal. Aqui colocam-se as experiências místicas quando esta zona cerebral é estimulada, sobretudo pela luz solar. Um defeito genético, que leva a convulsões místicas e religiosas, epilepsia do lobo temporal, poderá ter induzido naqueles faraós, a adoração do sol, como deus único, a liquidar e a sobrepor-se a todos os outros deuses. Belo, sem dúvida, a marcar uma nova forma de o homem se relacionar com o divino. Mas poderemos comprovar esta teoria? Não, e depois, qual é o problema? Nenhum. Toda a nossa existência como espécie está intimamente ligada a mitos, e quando se trata de mitos da criação, coloco sempre a questão, qual deles o mais belo, o mais criativo ou o mais inspirador. Eu conheço alguns, mas prefiro a espuma do mar de onde emergiu Afrodite, da mais estranha inseminação até hoje relatada. Afinal, a ciência, na sua busca incessante da verdade, consegue ser uma fonte inspiradora para a criação de novos mitos, sem os quais não conseguimos viver. É o momento de agradecer à ciência o facto de tornar inesgotável a interpretação e análise de velhos e novos comportamentos. Belo, sem qualquer dúvida, pelo menos para mim. Agora, ao ver a máscara do faraó criança, vou associá-la à beleza, ao sol, à doença, ao monoteísmo, a novas ordens sociais e a uma permanente transformação da sociedade. Vale a pena associar a poesia à ciência e à história, e depois cantá-la.

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