Escolhi Miranda do Douro para iniciar o meu período de repouso. Trás-os-Montes fascina-me desde sempre, devido a uma estranha beleza revestida de alguma rudeza e de muita cordialidade. Aprecio as suas gentes e tudo o que fazem, com sacrifício, denodo e coragem. Gentes muitas vezes esquecidas e só lembradas em situações especiais. Há muito que não vinha até estas paragens, mas não me foi difícil encontrar velhos locais. Passado pouco tempo comecei a sentir o efeito transmontano entranhado no meu espírito. Dei as minhas voltas, adquiri livros em mirandês e pus-me a ler contos e lendas nesta língua fugidia e encantadoramente sonora. Fiz alguns esforços para escrever um pouco na nossa segunda língua falada por tão poucas pessoas. Confesso que me apetece aprender a falar mirandês, porque sinto que só assim poderia conhecer o sentido e o significado de muitas histórias que tem escondidas e identificar-me com a alma de Trás-os-Montes. Hoje, respirava-se um ar triste, difícil ...
"- Olhai para todas vós. Discutis como mulheres livres – sem sequer sonharem que a liberdade está na base das vossas opções. E se fôsseis escravas?"