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Prémios Darwin

Em tempos adquiri um livro com um título interessante: “Prémios Darwin”. Mas, o subtítulo era ainda mais curioso: “Prémios à estupidez humana”. Trata-se de uma coletânea de histórias cujos protagonistas acabam por sucumbir devido a erros e comportamentos lamentáveis. Wendy Northcutt explica o sentido dos Prémios Darwin (também há menções honrosas!) numa base evolucionista. Deste modo, segundo a autora, os “Prémios Darwin homenageiam aqueles que asseguram a sobrevivência a longo prazo da nossa espécie, retirando-se eles próprios, de uma forma totalmente idiota, do fundo genético da nossa espécie. Contribuem, assim, para o aperfeiçoamento da espécie humana. Histórias mirabolantes que vão desde o larápio que tenta roubar os fios elétricos sem desligar a corrente passando pelo homem que acende o isqueiro para espreitar dentro de um recipiente com gasolina, ou do terrorista distraído que abre a carta armadilhada que lhe foi devolvida por insuficiência de selos, ou ainda de um outro morto pela queda da máquina de bebidas quando tentava tirar uma embalagem de água sem pagar. Enfim, casos que podem provocar alguns sorrisos, não fosse o facto de se materializarem em mortes ou situações de invalidez. No fundo, o que podemos afirmar é que a estupidez reina nos diferentes casos.Estas observações têm a ver com vários tipos de situações que ocorrem no nosso país, as quais continuam a originar muitas mortes que podiam e deveriam ser evitadas. Os relatos de mortes por afogamento, associados às mortes por muitos acidentes de viação e por acidentes de trabalho, revelam que, num grande número de casos, são a expressão de condutas impróprias, por vezes mesmo estúpidas, tradutoras de uma falta de cultura. Não acredito que haja, em Portugal, algum gene da loucura, que possa explicar esta tendência para a autodestruição. Afinal, todos os esforços de informação e educação em matéria de prevenção destas situações, altamente prevalentes entre nós, não têm dado resultados. Talvez, devido à repetição e monotonia das causas subjacentes à maioria dos tipos de óbito considerados, os portugueses não sejam alvo de atribuição dos Prémios Darwin. Mas, mesmo assim, não deixam de revelar uma infinita estupidez. Segundo Einstein, a estupidez humana e o Universo são as duas únicas coisas infinitas, e, no tocante ao Universo, não tinha a certeza absoluta. Uma fração respeitável de portugueses, com os seus bizarros comportamentos, acaba por reforçar a afirmação do célebre cientista...

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