Quando o futuro se torna presente na forma dura e permanente da ausência e do esquecimento sente-se, não a dor, não o anseio, apenas a infinita preocupação de ver alguém partir sem saber e sem sentir o significado do verbo existir. É uma luz intensa que se vai apagando, lentamente. É uma alma que outrora foi iluminando quem precisou de forma sincera e ardente. Chegou o momento de necessitar de um braço e de pequenos encantos para quem tanto amou e cantou. A vida não mente ao anúncio da lenta morte que desconhece e que não sente.
Tenho que confessar, não consigo deixar de pensar nos jovens aprisionados na caverna tailandesa. Estou permanentemente à procura de notícias e evolução dos acontecimentos. Tantas pessoas preocupadas com os jovens. Uma perfeita manifestação de humanidade. O envolvimento e a necessidade de ajudar os nossos semelhantes, independentemente de tudo, constitui a única e gratificante medida da nossa condição humana. Estas atitudes, e exemplos, são uma garantia que me obriga a acreditar na minha espécie. Eu preciso de acreditar. Não invoco Deus por motivos óbvios. Invoco e imploro que os representantes da minha espécie façam o que tenham a fazer para honrar e dignificar a nossa condição. Salvem todos, porque ao salvá-los também ajudam a salvar cada um de nós.