Está ali há tanto tempo, antes de mim, antes de outros e irá continuar exposta ao vento, vendo e sentindo tudo o que se passa em redor, espraiando os seus sentidos pelas montanhas secas ou molhadas, surdas ou caladas, que se perdem no horizonte, umas vezes vestidas outras nuas, já as viu de todas as maneiras, mas o que ela gosta mesmo é de olhar para cima como se não tivesse ninguém a vê-la. Ninguém a vê de cima e poucos a veem de baixo. Os seus ramos, velhos e viçosos, estão sempre a ondular, e mesmo quando o vento descansa e saboreia alguns momentos de paz, quando não tem nada para dizer, nem para fazer, continua a ondular os velhos e viçosos ramos, é o seu coração que pulsa. O vento sonha com o ondular dos ramos velhos e viçosos de uma árvore que pulsa ao sabor do seu coração. Precisa de dormir, para poder sonhar com o estranho e doce som da árvore. Como é possível ondular os ramos se eu estou a dormir e não me mexo, diz o vento. Tamanha é a sua ansiedade que a abana muito suavemente para que ela possa oferecer-lhe o som que o vento tanto aprecia e que nunca conseguiu produzir, o único som que gostaria de imitar, ele que já ouviu tudo e todos. A velha árvore ri-se e emudece. É o seu encanto.
Tenho que confessar, não consigo deixar de pensar nos jovens aprisionados na caverna tailandesa. Estou permanentemente à procura de notícias e evolução dos acontecimentos. Tantas pessoas preocupadas com os jovens. Uma perfeita manifestação de humanidade. O envolvimento e a necessidade de ajudar os nossos semelhantes, independentemente de tudo, constitui a única e gratificante medida da nossa condição humana. Estas atitudes, e exemplos, são uma garantia que me obriga a acreditar na minha espécie. Eu preciso de acreditar. Não invoco Deus por motivos óbvios. Invoco e imploro que os representantes da minha espécie façam o que tenham a fazer para honrar e dignificar a nossa condição. Salvem todos, porque ao salvá-los também ajudam a salvar cada um de nós.
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