Encontrar explicações não é o mesmo que as inventar. Há uma sede para explicar tudo o que nos envolve e o que somos. A angústia do desconhecido e a ausência de motivos assusta o ser humano. É compreensível, o que não é compreensível, e muito menos aceitável, são as "descobertas" e as invenções que se produzem a torto e a direito como se fossem sinónimos da verdade absoluta. Tudo tem de se encaixar nos modelos criados, nem que seja à força. Algumas são ridículas, outras visivelmente especulativas e muitas são de cariz doutrinário suscetíveis de esconder interesses capazes de adoçar a vida dos mais fracos, dos mais obedientes e aparentemente mais despretensiosos. Há explicações para todos os gostos e feitios, mesmo para os que não se interessam por essas coisas, desde que consigam satisfazer-se no deleite dos seus mais básicos instintos. Há quem não consiga encaixar-se em modelos ou em ideias feitas e há quem opte por as contestar, recriando novos paradigmas ou refugiando-se em fantasias. Não é difícil, basta enveredar pela ciência e matar o resto da sede com a poesia.
Tenho que confessar, não consigo deixar de pensar nos jovens aprisionados na caverna tailandesa. Estou permanentemente à procura de notícias e evolução dos acontecimentos. Tantas pessoas preocupadas com os jovens. Uma perfeita manifestação de humanidade. O envolvimento e a necessidade de ajudar os nossos semelhantes, independentemente de tudo, constitui a única e gratificante medida da nossa condição humana. Estas atitudes, e exemplos, são uma garantia que me obriga a acreditar na minha espécie. Eu preciso de acreditar. Não invoco Deus por motivos óbvios. Invoco e imploro que os representantes da minha espécie façam o que tenham a fazer para honrar e dignificar a nossa condição. Salvem todos, porque ao salvá-los também ajudam a salvar cada um de nós.
Comentários
Enviar um comentário