Encontrar explicações não é o mesmo que as inventar. Há uma sede para explicar tudo o que nos envolve e o que somos. A angústia do desconhecido e a ausência de motivos assusta o ser humano. É compreensível, o que não é compreensível, e muito menos aceitável, são as "descobertas" e as invenções que se produzem a torto e a direito como se fossem sinónimos da verdade absoluta. Tudo tem de se encaixar nos modelos criados, nem que seja à força. Algumas são ridículas, outras visivelmente especulativas e muitas são de cariz doutrinário suscetíveis de esconder interesses capazes de adoçar a vida dos mais fracos, dos mais obedientes e aparentemente mais despretensiosos. Há explicações para todos os gostos e feitios, mesmo para os que não se interessam por essas coisas, desde que consigam satisfazer-se no deleite dos seus mais básicos instintos. Há quem não consiga encaixar-se em modelos ou em ideias feitas e há quem opte por as contestar, recriando novos paradigmas ou refugiando-se em fantasias. Não é difícil, basta enveredar pela ciência e matar o resto da sede com a poesia.
Tenho que fugir à rotina. A que me persegue corrói-me a alma e destrói a vontade de saborear o sol e de me apaixonar pela noite. Tenho que fugir à vontade de partilhar o que sinto. Não serve para grande coisa, a não ser para avivar as feridas. Tenho que fugir à vontade de contar o que desejava. Não quero incomodar ninguém. Tenho que fugir de mim próprio. Dói ter que viver com o que escrevo.
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