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"Sons e liberdade"...


Ouço sons. Vêm de todo o lado, da ribeira, das pessoas que passam, de uma muda que fala e ri para o bebé, do sino da torre, que, ritmicamente, quer ainda marcar a vida de quem o ouve, da brisa da tarde, do silêncio da vida e do encanto do esquecimento. Embrulham-se uns nos outros criando novos sons, sons que nunca tinha lido, nem ouvido, sons com algum sentido, sons à procura de outros sons, sons com quem possam falar, tocar e amar. Os sons têm alma e gostam de andar nus, não precisam de se esconder, precisam só de liberdade, e a liberdade aproxima-se deles, curiosa, distraída, e deixa-se agrilhoar. O único momento em que a liberdade sabe o que é ser-se aprisionada. Não se queixa e nem se arrepende, porque só assim sabe e sente o sabor do desejo. Depois, quando o silêncio do sono se acende novamente, volta a correr, livre, sem saber o que fazer...

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Tenho que fugir à rotina. A que me persegue corrói-me a alma e destrói a vontade de saborear o sol e de me apaixonar pela noite.  Tenho que fugir à vontade de partilhar o que sinto. Não serve para grande coisa, a não ser para avivar as feridas. Tenho que fugir à vontade de contar o que desejava. Não quero incomodar ninguém. Tenho que fugir de mim próprio. Dói ter que viver com o que escrevo.

"Tique preconceituoso". Um contributo

Também "sei" fazer análises sobre a situação do país, pelo menos tento fazer com alguma imparcialidade e sem preconceitos. Tento fazer, mas confesso que é difícil, quase que diria é impossível. Nenhum cidadão se pode considerar impoluto e imparcial na análise de quem quer que seja ou na interpretação de inúmeros factos e situações. Tudo bem. E depois? Depois irrita-me muitos comentários e análises que refletem uma mistura dos factos que nos circundam e das personalidades de quem os analisa. Há quem impregne mais com o suor da sua personalidade - e suor é coisa que não cheira bem -, e há quem impregne menos. Relativamente a questões de vencimentos, reformas e coisas parecidas com ganhos justos ou injustos por parte dos políticos e altos dirigentes, é possível observar um movimento de contestação e de repúdio dos mesmos por parte de grande parte da população. Aparentemente compreende-se, os que contestam ganham pouco ou, até, nem ganham nada. Como travar esta contestação? Não s...

"Salvem todos"...

Tenho que confessar, não consigo deixar de pensar nos jovens aprisionados na caverna tailandesa. Estou permanentemente à procura de notícias e evolução dos acontecimentos. Tantas pessoas preocupadas com os jovens. Uma perfeita manifestação de humanidade. O envolvimento e a necessidade de ajudar os nossos semelhantes, independentemente de tudo, constitui a única e gratificante medida da nossa condição humana. Estas atitudes, e exemplos, são uma garantia que me obriga a acreditar na minha espécie. Eu preciso de acreditar. Não invoco Deus por motivos óbvios. Invoco e imploro que os representantes da minha espécie façam o que tenham a fazer para honrar e dignificar a nossa condição. Salvem todos, porque ao salvá-los também ajudam a salvar cada um de nós.