- Estás com sono? - Não. Embora me apetecesse dizer a verdade, que sim, que estava, mas não disse. - E tu? - Estou cheiinha. Vou mas é para a cama.
Criei o título segundos antes de me ter perguntado se estava como sono, porque estava mesmo, mas queria escrevinhar qualquer coisa antes de me deitar.
Escrevinhar sob o efeito do sono é como desejar uma noite sossegada e repleta de sonhos confortadores. Uma forma de fugir à realidade e criar uma outra, diferente, feita à minha medida. Para isso precisava de saber o que é uma medida de vida, o que desconfio muito.
Escrevinhar sob o efeito do sono é sentir um peso suave capaz de alimentar a vida, acender a esperança e apagar o receio e a incerteza.
Escrevinhar sob o efeito do sono é parar o tempo e congelá-lo com um ardor quente de sentimentos e doces lembranças.
Escrevinhar sob o efeito do sono é despertar para uma nova dimensão, a da paz, a da alegria e a do espanto por tudo que desconheço e que gostaria de saber.
Escrevinhar sob o efeito do sono é saborear as correntes da vida de tantos que me acarinham.
Escrevinhar sob o efeito do sono é viajar para espaços sagrados onde só a alma consegue transformar o futuro em delicadas brisas.
Escrevinhar sob o efeito do sono é falar com quem já há muito deixou de falar.
Escrevinhar sob o efeito do sono é despertar quem amámos do seu sono eterno.
Escrevinhar sob o efeito do sono é dar vida à morte.
Escrevinhar sob o efeito do sono é recordar, é profetizar e é ver o que desejo sentir e esquecer.
Tenho sono.
O que eu queria era escrevinhar apenas sob o efeito do sono. Toda a noite. Toda a vida...
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